A artroscopia de joelho é indicada para problemas mecânicos definidos, como certas lesões de menisco, fragmentos soltos, lesões de cartilagem localizadas e reconstrução de ligamentos. Para a artrose espalhada pela articulação, a limpeza por artroscopia não costuma ser indicada. A recuperação varia bastante conforme o que foi feito dentro do joelho.
“É só uma artroscopia, uma cirurgia por vídeo.” A frase costuma vir para tranquilizar, e de fato a artroscopia é feita por pequenos cortes. Mas ela deixa perguntas importantes sem resposta: o que exatamente será feito dentro do joelho, se isso vai resolver o problema e como será a volta para casa, para o trabalho e para as caminhadas.
Este texto explica o que é a artroscopia de joelho, em que situações ela costuma ajudar, em quais ela tem pouco a oferecer, como costuma ser a recuperação e quais são os riscos. A ideia é chegar à consulta sabendo o que perguntar e entendendo as respostas.
O que é a artroscopia: o joelho visto por dentro
Na artroscopia, o cirurgião faz pequenos cortes na frente do joelho, em geral dois ou mais. Por um deles entra o artroscópio, um tubo fino com câmera e luz, e a imagem aparece ampliada num monitor. A articulação é preenchida com soro, o que abre espaço e deixa a visão nítida. Pelos outros cortes entram instrumentos delicados, usados para aparar, costurar ou retirar fragmentos.
Videoartroscopia e cirurgia por vídeo são outros nomes para o mesmo procedimento. Como os cortes são pequenos, a agressão aos tecidos de fora do joelho costuma ser menor do que numa cirurgia aberta. Isso não quer dizer que o trabalho lá dentro seja pequeno: uma sutura de menisco ou uma reconstrução de ligamento feita por artroscopia exige reabilitação longa e cuidadosa.
O tipo de anestesia é decidido com o anestesista: pode ser uma anestesia na coluna, que tira a sensibilidade das pernas, ou uma anestesia geral, conforme o caso. A internação costuma ser curta, conforme o procedimento realizado e a evolução de cada pessoa.
No passado, a artroscopia também era usada só para olhar o joelho por dentro e descobrir o problema. Hoje, com uma boa conversa, o exame físico e a ressonância, isso raramente é necessário. A cirurgia costuma ser marcada já com um objetivo definido, e esse objetivo precisa estar claro para o paciente.
O que a artroscopia trata bem
A artroscopia costuma ajudar mais quando existe um problema mecânico definido, que pode ser visto e corrigido por dentro do joelho. As situações mais comuns são três.
Lesões de menisco
Os meniscos são dois amortecedores em forma de meia-lua, um de cada lado do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Quando uma lesão precisa de cirurgia, a artroscopia permite retirar só a parte rompida ou, quando a lesão tem condições de cicatrizar, costurá-la e preservar o menisco. Nem toda lesão precisa ser operada, e as lesões do menisco, traumáticas e degenerativas, seguem caminhos bem diferentes.
Fragmentos soltos e lesões de cartilagem localizadas
Às vezes um pedaço de cartilagem ou de osso se solta e fica circulando dentro da articulação. É o chamado corpo livre, que pode provocar travamento: o joelho fica preso e não completa o movimento. A artroscopia permite localizar e retirar esse fragmento.
Lesões de cartilagem bem delimitadas, numa área pequena, muitas vezes surgem depois de uma torção ou pancada. Elas também podem ser tratadas por artroscopia ou com o apoio dela, incluindo, em casos selecionados, técnicas de transplante de cartilagem. A palavra que importa aqui é “localizada”: é bem diferente do desgaste espalhado da artrose.
Reconstrução de ligamentos
A reconstrução do ligamento cruzado anterior e do posterior é feita com o auxílio da artroscopia. A câmera guia a posição do novo ligamento e permite tratar, no mesmo tempo, um menisco que também tenha sido lesionado. Nem toda ruptura precisa ser operada, e a decisão na lesão do ligamento cruzado anterior depende sobretudo da instabilidade no dia a dia e das atividades que a pessoa pretende retomar.
O que a artroscopia não resolve: a artrose espalhada
Durante muitos anos, a artroscopia foi usada para “limpar” ou “lavar” joelhos com artrose: aparar a cartilagem irregular, retirar pequenos fragmentos e lavar a articulação. Pesquisas bem conduzidas compararam esse procedimento com tratamentos sem cirurgia e não encontraram benefício duradouro quando a artrose está espalhada pelo joelho. Por isso, hoje, essa limpeza não costuma ser indicada para tratar a artrose em si.
A explicação está no próprio problema. Na artrose, a cartilagem está gasta em boa parte da superfície, e nenhuma lavagem devolve essa camada. Entender o que acontece na articulação com artrose ajuda a ver por que o tratamento passa por fortalecimento, controle de carga, manejo da dor e, quando indicado, outros tipos de cirurgia, e não por uma limpeza.
Isso pede cuidado, e não radicalismo. Há situações em que um joelho com algum desgaste tem também um problema mecânico claro, como um fragmento solto que trava o movimento, e a artroscopia pode ser considerada para esse problema específico. A diferença está no objetivo: tratar uma causa mecânica definida, e não o desgaste.
Se a artroscopia foi proposta para um joelho com artrose, vale perguntar com calma qual problema mecânico ela pretende tratar e o que se espera melhorar. Quando a resposta não fica clara, uma segunda opinião sobre a indicação cirúrgica é um direito do paciente. A conduta depende sempre da avaliação individual, e o mesmo diagnóstico pode levar a tratamentos diferentes em pessoas diferentes.
Como costuma ser a recuperação
A recuperação depende muito do que foi feito dentro do joelho. Retirar uma pequena parte do menisco costuma permitir apoio mais cedo e uma volta mais rápida à rotina. Já a sutura do menisco pede proteção por um período, com muletas e limite para dobrar o joelho, para dar tempo à cicatrização. A reconstrução de ligamento envolve meses de reabilitação.
Por isso, o tempo de afastamento só pode ser estimado depois de saber o que será feito, e mesmo assim varia de pessoa para pessoa. Um prazo dado antes dessa conversa tende a ser apenas uma estimativa, e vale tratá-lo assim.
Nos primeiros dias, é comum o joelho ficar inchado e dolorido. Gelo envolto em pano, a perna elevada e os remédios prescritos ajudam. Para o curativo, o banho e a retirada dos pontos, vale seguir a orientação recebida na saída. A fisioterapia, ou exercícios orientados em casa, costuma começar cedo, com foco em esticar o joelho por completo e reativar a musculatura da coxa.
Em casa, ajuda deixar o caminho até o banheiro livre de tapetes, ter uma cadeira firme para sentar e evitar passar muito tempo com o joelho dobrado. Movimentar os tornozelos várias vezes ao dia, para cima e para baixo, favorece a circulação nas pernas.
A volta ao trabalho, ao volante e às atividades físicas depende do procedimento, do lado operado e do tipo de rotina. Quem trabalha sentado tende a retomar a rotina antes de quem passa o dia agachando, subindo escadas ou carregando peso. A liberação para cada etapa vem da equipe, de acordo com a evolução.
Riscos: cortes pequenos não significam risco zero
Os riscos da artroscopia costumam ser menores do que os de uma cirurgia aberta, mas existem. Os mais conhecidos são:
- Infecção na articulação ou nos cortes, pouco frequente, mas que exige tratamento rápido.
- Trombose, a formação de um coágulo nas veias da perna.
- Acúmulo de sangue ou de líquido dentro do joelho, que pode deixá-lo muito inchado.
- Rigidez ou dor que demora a passar.
- Dormência numa pequena área de pele perto dos cortes.
Febre, vermelhidão ou secreção nos cortes e a batata da perna dolorida e inchada são sinais para procurar a equipe no mesmo dia, sem esperar o retorno. Falta de ar pede atendimento imediato. Antes da cirurgia, o médico deve explicar esses riscos com calma e compará-los com o benefício esperado no seu caso.
Antes de marcar: o que conversar na consulta
Uma boa conversa antes da artroscopia responde a quatro perguntas: qual é o problema dentro do joelho, o que será feito, o que se espera melhorar e como será a reabilitação. Também vale perguntar o que acontece se a cirurgia não for feita agora e quais tratamentos sem cirurgia ainda fazem sentido.
Do lado do paciente, também há informações que precisam chegar ao médico. Pressão alta, diabetes, uso de remédios que afinam o sangue, cirurgias anteriores no joelho e o tipo de trabalho do dia a dia entram no planejamento da cirurgia e da recuperação.
Na consulta com um ortopedista em Jaraguá do Sul, avaliar uma indicação de artroscopia passa pela conversa, pelo exame físico e pela análise das imagens. A avaliação para cirurgia de joelho é o ponto de partida para entender se a artroscopia é o caminho, se existe outra opção ou se vale começar pelo tratamento sem cirurgia.
Nenhum texto substitui o exame do seu joelho. É a avaliação que mostra se existe um problema mecânico que a artroscopia pode corrigir e se ela faz sentido agora. Se a artroscopia já foi proposta ou ainda é uma dúvida, marque uma consulta com um ortopedista em Jaraguá do Sul. Leve os exames, de preferência as imagens e não só o laudo, e as dúvidas anotadas.