Depois dos 40, a dor no joelho ao subir escada costuma vir da articulação entre a patela e o fêmur, do desgaste da artrose ou de tendões, como a pata de ganso e o tendão patelar. O lugar e o momento da dor ajudam a orientar, mas quem separa as causas é o exame físico. Dor que persiste, incha, trava ou falseia pede avaliação.
A escada costuma ser o primeiro lugar onde o joelho reclama. A pessoa ainda caminha bem no plano, mas sente a pontada ao subir para o apartamento com as sacolas do mercado, ou percebe que passou a descer de lado, agarrada ao corrimão, na escada da igreja ou na casa dos filhos. Sem perceber, muita gente começa a escolher o elevador sempre que pode.
Depois dos 40, essa dor tem algumas causas mais comuns, e o lugar e o jeito como ela aparece dão boas pistas sobre cada uma. A seguir estão os padrões mais frequentes, os ajustes simples que facilitam a escada no dia a dia e os sinais de que vale procurar avaliação.
Por que a escada pesa tanto sobre o joelho
Andar no plano exige pouca dobra do joelho. Na escada, a cada degrau, o joelho dobra com todo o peso do corpo sobre uma perna só. A força que atravessa a articulação nesse momento chega a várias vezes o peso do corpo, e a patela é pressionada com força contra o fêmur.
Subir e descer também cobram de formas diferentes. Na subida, a musculatura da frente da coxa, o quadríceps, empurra o corpo para cima. Na descida, o mesmo músculo trabalha como um freio, para que o corpo não despenque no degrau de baixo, e esse trabalho de frear é o mais exigente para a articulação. Por isso muita gente sente mais dor ao descer do que ao subir.
Quando a coxa está fraca, a carga que o músculo não consegue absorver vai direto para a articulação. Isso ajuda a explicar por que a dor na escada aparece com frequência depois de um período parado, de uma internação ou de alguns meses sem atividade, mesmo sem nenhuma lesão nova.
Onde dói e como dói: os padrões mais comuns
Sintoma orienta, mas não fecha diagnóstico. Ainda assim, prestar atenção ao lugar exato da dor e ao momento em que ela aparece ajuda a se localizar e a chegar à consulta com uma descrição útil. Estes são os padrões que mais aparecem.
Dor na frente do joelho, em volta da patela
É uma dor espalhada, que a pessoa mostra com a mão aberta sobre a frente do joelho, e não com a ponta do dedo. Piora ao subir e descer escada, ao agachar e depois de ficar muito tempo sentada, como numa viagem de ônibus ou numa sessão de cinema. Ao levantar e andar um pouco, costuma aliviar.
Esse padrão costuma estar ligado à forma como a patela desliza sobre o fêmur, e não a uma lesão visível no exame. A síndrome da dor patelofemoral explica esse quadro em detalhes, inclusive por que a força do quadril participa dele. Depois dos 50, dor nesse mesmo lugar também pode vir do desgaste da cartilagem atrás da patela.
Dor com rigidez ao levantar e inchaço depois do esforço
Aqui a dor vem junto com outras queixas. O joelho amanhece duro e melhora em poucos minutos, fica emperrado depois de um tempo sentado e incha um pouco depois de um dia de muita atividade. Descer escada costuma incomodar antes de subir, e levantar de cadeira baixa também fica difícil.
Esse conjunto lembra o desgaste da articulação, mais comum a partir dos 50 anos. Os sintomas da artrose do joelho têm um padrão próprio, que ajuda a diferenciá-la de outras causas de dor.
Dor na parte de dentro, um pouco abaixo da linha do joelho
A dor fica na face interna da perna, alguns centímetros abaixo da dobra do joelho, num ponto que dói ao apertar. Piora na escada, ao sair do carro e à noite, quando a pessoa dorme de lado com um joelho encostado no outro. É mais comum em quem tem artrose na parte de dentro do joelho, está acima do peso ou começou a caminhar bem mais que o habitual.
Esse ponto corresponde à inserção de três tendões na tíbia, e o quadro é a tendinite da pata de ganso. Ela costuma ser confundida com menisco ou com artrose, e a altura exata do ponto que dói é o que ajuda a separar uma coisa da outra.
Dor num ponto logo abaixo da patela
A dor é bem localizada, na ponta de baixo da patela, onde começa o tendão que a liga à tíbia, e a pessoa consegue apontá-la com um dedo. Costuma piorar ao descer escada, ao agachar fundo e ao saltar, e é mais frequente em quem pratica esportes com salto, como vôlei e basquete. A tendinite patelar é a causa mais lembrada desse padrão.
Esses padrões podem se misturar. É comum, por exemplo, que um joelho com artrose também doa na frente, ou que a pata de ganso doa junto com o desgaste do lado de dentro. Por isso a descrição da dor ajuda, mas quem separa as causas é o exame do joelho.
Ajustes que facilitam a escada no dia a dia
Enquanto a causa é investigada e tratada, alguns ajustes simples reduzem a carga sobre o joelho dolorido sem obrigar a pessoa a abandonar a escada:
- Corrimão sempre. Segurar firme tira parte do peso da perna e dá segurança, principalmente na descida.
- Um degrau por vez. Colocar os dois pés no mesmo degrau antes de seguir divide o esforço e reduz a dobra do joelho dolorido.
- Sobe com a perna boa, desce com a que dói. Na subida, a perna sem dor vai primeiro e faz a força; na descida, a perna dolorida desce primeiro, e a boa segura o corpo no degrau de cima.
- Cargas divididas. Duas viagens com sacolas leves pesam menos no joelho do que uma só com tudo de uma vez.
- Escada iluminada e livre. Enxergar bem cada degrau, sem tapetes soltos nem objetos no caminho, evita passos tortos e tropeços.
Evitar a escada por completo parece uma solução, mas costuma ter o efeito oposto. A coxa perde força, e cada degrau fica mais difícil com o tempo. Na maioria das vezes, o caminho passa por manter a escada com esses ajustes e fortalecer a musculatura que protege a articulação. Os exercícios para fortalecer o joelho mostram por onde começar, com movimentos simples que podem ser feitos em casa.
Outros cuidados também ajudam: calçado firme, com sola que não escorrega, pausas no meio de lances longos e atenção ao peso das bolsas. Quem usa bengala costuma tirar mais proveito dela segurando-a na mão do lado oposto ao joelho que dói; na escada, ela acompanha a perna dolorida. Quando o peso corporal participa do quadro, perder alguns quilos reduz a carga a cada degrau, e esse é um objetivo que costuma precisar de apoio e paciência, e não de cobrança.
Quando a dor na escada pede avaliação
Uma dor leve, que aparece num dia de esforço maior e some em seguida, pode ser acompanhada com os ajustes acima e com fortalecimento. Vale procurar avaliação quando a dor dura mais de algumas semanas apesar desses cuidados ou quando vem com inchaço. O mesmo vale se o joelho trava ou falseia na escada, se passa a doer em repouso ou à noite, ou se tudo começou depois de uma torção ou de uma queda.
Joelho que trava e não consegue esticar, ou que de repente não aguenta o peso do corpo, deve ser avaliado logo, sem esperar que melhore sozinho. Também merecem atenção a dor que vai piorando de mês a mês e a escada que, aos poucos, foi saindo da rotina.
Na consulta, o exame procura o ponto exato da dor, testa a força da coxa e do quadril e observa como o joelho se comporta em movimentos como agachar e subir um degrau. Antes da consulta com um ortopedista em Jaraguá do Sul, vale anotar se dói mais ao subir ou ao descer, onde exatamente dói e há quanto tempo a escada passou a incomodar.
A escada mostra quando o joelho está pedindo atenção, mas não diz sozinha qual é a causa. Separar a patela, a artrose e os tendões depende do exame feito com o joelho diante do médico, e a mesma dor na escada pode levar a tratamentos diferentes em pessoas diferentes. Se a dor na escada já mudou a sua rotina, uma avaliação presencial é o próximo passo.